O exame citopatológico é, dentre muitos, um dos mais baratos, rápidos e menos invasivos possíveis dentro da rotina diagnóstica veterinária. Contudo, é também uma das técnicas mais dependentes da qualidade da amostragem e, principalmente, da sua representatividade dentro de lesões extensas ou até mesmo muito pequenas.
Na avaliação citopatológica são avaliados elementos celulares individuais ou em pequenos grupos, preferencialmente formando uma única camada de células e com poucos artefatos, coradas por um método rápido (geralmente pelo método do panótico rápido). Nesta avaliação são observados os constituintes celulares presentes na amostra, bem como sua proporção, viabilidade, formato e tamanho citoplasmático e nuclear, presença e número de mitoses típicas e atípicas, e eventual matriz ou conteúdo acelular presente.
Para que o patologista consiga chegar a um diagnóstico citológico, algumas condições precisam ocorrer. Primeiro, a celularidade da amostra precisa ser representativa da lesão. Ou seja, amostras com baixa celularidade reduzem o número de elementos avaliáveis, restringindo assim a avaliação pelo patologista. Contudo, amostras altamente celulares também podem representar um desafio, causando a sobreposição celular e impedindo a identificação dos padrões celulares que permitiriam o reconhecimento da origem daquelas células. Um outro fator de interesse é a viabilidade dessa amostra que, quando baixa, indica que as células não estão preservadas, seja por processos autolíticos, rupturas mecânicas ou alterações químicas.

Figura 1: Citologia aspirativa, amostra com baixa celularidade e baixa viabilidade devido a uma acentuada contaminação sanguínea, formando grupos sobrepostos. Fonte: eclinpath.com
Em seguida, serão identificados os tipos celulares presentes na amostra, sua disposição e possíveis peculiaridades, como grânulos citoplasmáticos, vacuolizações etc., para, em seguida, caracterizar o núcleo, com possível presença de nucléolos, sua disposição na célula e demais características. Esta etapa é o momento em ocorre a formulação do diagnóstico e seus possíveis diferenciais, e é onde a representatividade da amostra revela sua importância.
Em seguida, serão identificados os tipos celulares presentes na amostra, sua disposição e possíveis peculiaridades, como grânulos citoplasmáticos, vacuolizações etc., para, em seguida, caracterizar o núcleo, com possível presença de nucléolos, sua disposição na célula e demais características. Esta etapa é o momento em ocorre a formulação do diagnóstico e seus possíveis diferenciais, e é onde a representatividade da amostra revela sua importância.

Figura 2: Citologia aspirativa de massa torácica apresentando moderada celularidade e boa viabilidade, composta por células fusiformes e células inflamatórias, principalmente macrófagos e neutrófilos. Na seta (figura da direita), uma única célula com diferenciação escamosa, compatível com metástase de carcinoma de células escamosas. Fonte: eclinpath.com
O método de coleta também interfere bastante na celularidade e viabilidade das amostras citológicas. Para lesões superficiais, ulceradas ou com secreções, o método de imprint pode ser viável, uma vez que permite a avaliação mais superficial, com maior probabilidade de encontrar agentes patogênicos fúngicos e reduz drasticamente o risco de contaminações sanguíneas. Sua maior limitação se dá exatamente por coletar o material mais externo da lesão, que pode ser composto apenas por restos celulares e contaminantes secundários.
Lesões nodulares mais profundas e não ulceradas podem ser coletadas pela punção por agulha fina, aspirativa ou não. Através desse método, a avaliação é expandida, sendo possível analisar tanto as alterações epiteliais quanto mesenquimais, além de possibilitar a análise de alguns conteúdos císticos. A dependência da qualidade de coleta é seu maior fator limitante, uma vez que as amostras frequentemente podem apresentar baixa viabilidade ou sofrer alterações entre a coleta e a avaliação pelo patologista, quando não bem armazenadas.
Contaminações sanguíneas também são extremamente comuns no método por agulha fina, sendo um grande fator de confundimento entre neoplasias vasculares, processos hemorrágicos ou contaminações iatrogênicas de coleta.
Na análise citopatológica, o histórico do animal, local de coleta e outras informações como tempo de desenvolvimento, textura, cor e tamanho são fundamentais para que o patologista possa interpretar os achados da lâmina. Um exemplo clássico é a presença de adipócitos bem diferenciados e gotículas lipídicas em fundo de lâmina, que podem ser característicos de lipomas. Contudo, são indistinguíveis do tecido adiposo normal do subcutâneo. O histórico de um nódulo, macio, liso e móvel, de crescimento lento, não pruriginoso, não ulcerativo, em subcutâneo de região torácica pode favorecer o diagnóstico de lipoma.
Assim, o diagnóstico citopatológico representa um exame rápido, preciso, pouco invasivo e de baixo custo para a triagem diagnóstica de lesões cutâneas e parenquimatosas; contudo, é dependente de fatores pré-analíticos, principalmente a representatividade da lesão e sua viabilidade para análise. Frequentemente um diagnóstico inconclusivo ou uma amostra não diagnóstica podem ser revertidos com uma segunda coleta ou mesmo uma coleta mais ampla da mesma lesão.


