A histopatologia é um dos exames com maior capacidade discriminatória dentre todas as técnicas diagnósticas presentes na medicina, tanto humana quanto veterinária. Em uma única amostra é possível discriminar lesões infecciosas, algumas vezes permitindo até a visualização do agente, degenerativas, como necroses, infartos e acúmulos intracelulares, e neoplásicas, nas quais muitas vezes é o método padrão para diagnóstico. Ao somaremse técnicas auxiliares à histopatologia, como colorações histoquímicas especiais, para evidenciação de algumas características histológicas, e técnicas de imuno-histoquímica para marcação de antígenos específicos, a histopatologia se consagra como padrão-ouro para o diagnóstico de inúmeras suspeitas clínicas.
Como acontece
1. Recebimento de amostra
2. Avaliação macroscópica
Observação das características e alterações da peça.
3. Análise do histórico
Espécie, raça, idade e informações clínicas.
4. Diagnósticos diferenciais
Levantamento das possibilidades diagnósticas.
5. Seleção e processamento do fragmento
Escolha da área representativa → processamento → inclusão em parafina.
6. Corte e coloração
Cortes histológicos → coloração por hematoxilina e eosina (HE).
7. Avaliação microscópica
Análise da arquitetura e composição do tecido.
8. Diagnóstico final
Integração dos achados → conclusão histopatológica.
A histopatologia é um exame extremamente versátil, pois, a partir de uma única coleta/amostra, permite a utilização de diversas técnicas diagnósticas e exploratórias, como colorações histoquímicas especiais para visualização de agentes patogênicos como fungos e bactérias, ou evidenciação de algumas estruturas típicas em certos tumores, como grânulos metacromáticos em mastocitomas. Ainda, a imuno-histoquímica permite explorar ainda mais o material enviado, realizando marcações específicas contra antígenos de interesse, permitindo visualizar estruturas que, mesmo sob o microscópio, são invisíveis, seja pelo seu tamanho ou pela sua baixíssima concentração, como agentes virais, ou proteínas específicas de alguns tipos celulares, que podem ser expressas em algumas neoplasias.
Apesar do seu grande poder diagnóstico, a histopatologia é dependente de alguns fatores, principalmente pré-analíticos. Uma coleta bem-feita, de uma área representativa da lesão de interesse, fixada de maneira adequada e pelo tempo necessário é fundamental para o sucesso dessa técnica. Amostras pequenas podem limitar a área de avaliação, enquanto amostras grandes podem não fixar corretamente, gerando autólise e, em ambos os casos, limitando a análise. Ainda, o método de coleta, como eletrocautério, também deve ser considerado, uma vez que pode causar alterações irreversíveis ao tecido e, consequentemente, destruir uma porção significativa do fragmento enviado para análise, mesmo que, macroscopicamente, possa parecer intacto.
Frequentemente, a histopatologia representa o marco final para um diagnóstico definitivo, e a valores acessíveis, principalmente considerando a flexibilidade e o potencial para encontrar diferentes doenças, com as únicas restrições relacionadas à própria fisiologia do paciente, como distúrbios de coagulação, inoperabilidade do sítio de interesse ou mesmo viabilidade anestésica.
Como coletar amostras em cães e gatos
O planejamento da coleta deve considerar o tipo, o tamanho, a localização e a distribuição da lesão. Sempre que houver dúvida sobre a melhor abordagem, o contato prévio com a equipe do Laudo Pets pode ajudar a definir a amostra mais adequada.
1. Planeje a biópsia
Defina se a coleta será incisional, retirando parte de uma lesão extensa, ou excisional, removendo toda a formação quando isso for clinicamente indicado. Registre a localização anatômica e as dimensões.
2. Escolha uma área representativa
Em lesões heterogêneas, colete a transição entre o tecido alterado e o tecido adjacente. Evite enviar somente áreas centrais muito necróticas, ulceradas ou contaminadas.
3. Colete mais de um fragmento quando necessário
Em dermatoses ou lesões múltiplas, obtenha amostras de diferentes regiões e estágios de evolução. Identifique separadamente os locais coletados.
4. Preserve o tecido
Manipule delicadamente, sem esmagar com pinças e sem tracionar. Evite eletrocautério na área destinada à histopatologia, pois o calor pode produzir artefatos e prejudicar a interpretação.
5. Fixe imediatamente
Coloque a amostra em formalina tamponada a 10%, utilizando aproximadamente 10 partes de fixador para 1 parte de tecido. Peças espessas devem ser seccionadas para favorecer a penetração do fixador, sem perder a orientação anatômica.
6. Oriente margens e locais
Quando houver avaliação de margens cirúrgicas, marque a orientação com fios de sutura ou outro método acordado com o laboratório. Amostras de locais diferentes devem seguir em recipientes separados e identificados.
7. Identifique e envie com segurança
Use recipiente plástico de boca larga, tampa rosqueável e vedação segura. Informe paciente, espécie, local da coleta, histórico, evolução, tratamentos, suspeita clínica e exames anteriores relevantes.
Importante: se também forem solicitados cultura microbiológica, PCR ou outros exames que exijam material fresco, separe uma amostra específica antes da fixação e confirme com o laboratório as condições de conservação e transporte.
Segue exemplos

Evidenciação do padrão cordonal neoplásico, se infiltrado entre as fibras colágeno de dermeprofunda.

As células neoplásicas são redondas a ovais, com acentuado acúmulo de grânulos metacromáticos intracitoplasmáticos

Em derme profunda, observa-se aumento de celularidade por proliferação neoplásica arranjada em ninhos e cordões. Ainda, folículo ectásico com acúmulo de material fragmento eosinofílico (cisto folicular infundibular)


