A encefalomielite aviária (EA) é uma doença de origem viral que afeta o sistema nervoso central das aves. Geralmente acomete aves jovens, entre 1 e 3 semanas de idade, e aves adultas em idade de postura. Sua transmissão pode ser vertical com aparecimento de sintomas com menos de 3 semanas de idade, ou horizontal dentro do incubatório ou granja (Rocha et al., 2019).
A infecção ocorre principalmente pela via oral, através da ingestão de ração, fezes ou água contaminada. Após a ingestão, o vírus se replica no intestino principalmente na porção duodenal, geralmente pelas placas de Peyer atingindo a corrente sanguínea. Durante a viremia, vários órgãos, como os do sistema nervoso central, fígado, coração, rins, proventrículo, moela, baço, pâncreas e músculo esquelético são acometidos causando tremores na cabeça, prostração, ataxia, sonolência, falta de coordenação e instabilidade na marcha (Tannock & Shafren, 1994; Calnek, 2008; Senties-Cue et al., 2016; Fan et al, 2017). As taxas de morbilidade e mortalidade variam entre 40 e 60% e 25 e 50%, respectivamente. Em adultos, podem ser observadas cataratas e queda nas taxas de postura e eclosão dos ovos.
A medida preventiva mais eficaz contra o vírus é a vacinação da matriz no período de recria, evitando desta forma a transmissão vertical. Porém, dada a importância da vacinação das reprodutoras, alguns estudos apontam a ocorrência de surtos mesmo em aves imunizadas (Freitas & Back, 2015; Rocha et al., 2019).
Neste sentido, ferramentas de diagnóstico que detectam o patógeno com precocidade e rapidez são de extrema importância para a erradicação do vírus nos lotes. Com isso, o reação em cadeia da polimerase (PCR) é um ensaio muito importante para o monitoramento dessa doença. Esta técnica permite a detecção do patógeno em estágios iniciais da infecção, permitindo um controle assertivo e melhor direcionamento vacinal da granja. Portanto, para auxiliar o monitoramento das granjas em relação as infecções por AE, o Laudo Laboratório conta com o mais novo teste disponível para detecção do agente por qPCR.
Referência
CALNEK, B. W. Avian encephalomyelitis. In: SAIF, Y. M.; FADLY, A. M.; GLISSON, J. R.; MCDOUGALD, L. R.; NOLAN, L. K.; SWAYNE, D. R. Diseases of poultry. Ames: Blackwell. p. 430-441, 2008.
FAN, L.; LI, Z.; HUANG, J.; YANG, Z.; XIAO, S.; WANG, X.; DANG, R.; ZHANG, S. Dynamic distribution and tissue tropism of avian encephalomyelitis virus isolate XY/Q-1410 in experimentally infected Korean quail. Archives of Virology, 162, 11, 3447–3458, 2017.
FREITAS, E.; BACK, A. Is this an Emerging Disease? Brazilian Journal of Poultry Science, 17, 399–404, 2015.
ROCHA, P. M. C.; BARROS, M. E. G.; ROCHA, B. P.; SOUZA, F. A. L.; MENDONÇA, F. S.; EVÊNCIO-NETO, J. Severe Outbreak of Avian Encephalomyelitis in Laying Hens in Northeastern Brazil. Brazilian Journal of Poultry Science, v. 21, 1-4, 2019.
SENTIES-CUE, C. G.; GALLARDO, R. A.; REIMERS, N.; BICKFORD, A. A.; CHARLTON, B. R.; SHIVAPRASAD, H. L. Avian encephalomyelitis in layer pullets associated with vaccination. Avian Diseases, v. 60, 511-515, 2016.
TANNOCK, G. A.; SHAFREN, D. R. Avian encephalomyelitis: a review. Avian Pathology, 23, 603–620, 1994.
Biólogo, Msc em Zootecnia
P&D Molecular no Laudo Laboratório